sábado, 12 de abril de 2014

Qual método mais eficaz para o tratamento da coluna lombar?

ARTIGO

Métodos McKenzie X Williams



Introdução 

O homem tornou-se o único animal da sua espécie a locomover em postura ereta, utilizando apenas dois membros. Sofrendo, assim, uma série de adaptações fisiológicas durante sua evolução [1]. Essas alterações ficaram mais acentuadas nos últimos séculos, após a revolução industrial, em que o homem passou a trabalhar utilizando o corpo como uma alavanca e adotando a posição sentada para a maior parte das atividades de vida diária. Durante esses anos, aumentaram os distúrbios músculoesqueléticos através da utilização incorreta da biomecânica humana, nos quais destacam-se as lombalgias, que acometem principalmente os trabalhadores [2]. As lombalgias são responsáveis por perda de 13,2 dias de trabalho por ano e 63% das licenças médicas em trabalhadores braçais [3]. No Brasil as doenças da coluna são a primeira causa no pagamento de auxílio-doença e a terceira causa de aposentadoria por invalidez. A lombalgia é a principal responsável por grande parte dos afastamentos temporários ou definitivos de trabalhadores [4]. O conhecimento referente as lombalgias tem crescido, mas não na mesma velocidade em que tem custado para a sociedade ou seus pacientes. 

A lombalgia aparece comumente entre homens acima de 40 anos e com maior prevalência em mulheres entre 50 e 60 anos [5]. O quadro em geral aparece durando em média de 1 à 7 dias, tornando-se muitas vezes repetitivo ao longo dos anos, fazendo com que se torne crônico, como observado em indivíduos na terceira idade, que relatam o primeiro sintoma cerca de 20, 30 e 40 anos atrás, bem como inúmeras seqüências de tratamentos [12]. 

Aproximadamente 80% da população adulta é afetada significadamente pela dor lombar. Destes acometimentos, 44% estavam melhores em duas semanas, 86% em um mês, e 92% em dois meses, sendo que apenas 8% sofria de dor por mais de dois meses. Mas as chances de reincidências são de 90%, onde 35% desenvolvem para uma dor lombar acompanhada de irradiação para os membros inferiores [2,4,7,15,17]. 

O diagnóstico da dor lombar em muitos casos mantêmse obscuro, pois há grande dificuldade em obter um resultado preciso. A identificação exata do tecido envolvido é praticamente impossível. Mesmo com toda tecnologia, vários casos ficam com diagnóstico inadequados e incertos. Além de uma pesquisa ter demonstrado, que muitos pacientes com dores lombares por mais de seis semanas, nunca foram se quer pedidos para retirarem o vestuário, quando examinados pelos seus médicos [8]. Curiosamente, vários estudos relatam com freqüência, não existirem relação em alguns sintomas de lombalgias e achados radiológicos, assim como alguns achados radiológicos deveriam apresentar a sintomatologia, que não aparece [9]. É um fato que vem sendo presenciado por vários fisioterapeutas na prática clínica, não havendo explicações concretas. Isso levou alguns autores a desenvolverem técnicas e métodos práticos e específicos de diagnóstico. 

Anatomicamente a coluna lombar é localizada na parte inferior, compreendida pelo tórax e pelo quadril. É formada por cinco vértebras, que possuem características próprias. Possuem o corpo volumoso, sendo seu diâmetro transverso maior que no sentido antero-posterior. O forame vertebral é triangular, os pedículos são curtos e nascem na parte superior do corpo. Os processos transversos se posicionam posteriormente e superiormente com um tubérculo acessório e outro mamilar. As facetas articulares superiores são côncavas e dispõem no sentido póstero-medial, enquanto as facetas inferiores são convexas no sentido antero-lateral. Os processos espinhosos são longos, largos e horizontais [4]. 

A quinta vértebra lombar (L5) possui uma diferenciação em seu corpo vertebral, sendo mais alta anteriormente. Isso se deve a maior descarga de peso aplicada posteriormente ao corpo da vértebra. Essa alteração afasta as facetas articulares inferiores da quinta vértebra. As estruturas lombares sofrem pressão permanente, decorrente da postura assumida, fazendo com que a região lombar (3ª vértebra lombar), seja o centro de gravidade do corpo humano [10]. 

O suporte e a estabilidade da coluna lombar são feitos pelas facetas articulares, pelos ligamentos, discos intervertebrais, fáscias e aponeuroses toracolombares (grande dorsal, serrátil posterior inferior, oblíquos internos, abdominais transversos) e pelos outros músculos que estabilizam dinamicamente a coluna [1,4,10,19]. 

Entre as vértebras, existe um disco que consiste de um anel fibroso e um núcleo pulposo. Fazem parte do complexo articular entre as duas vértebras. O disco intervertebral lombar é abundantemente inervado, recebendo ramos nervosos comunicantes cinzas dos ramos ventrais e dos nervos sinuvertebrais. Essas terminações nervosas são encontradas na superfície lateral e dentro do anel fibroso [11]. Biomecanicamente, em uma flexão lombar, a porção anterior do disco é comprimida, enquanto a posterior é liberada. Na extensão ocorre o oposto, a parte posterior é comprimida enquanto a anterior é liberada. O núcleo pulposo normal move diferentemente do núcleo degenerado e anormal. Essa é uma afirmação que não deve ser generalizada. Em particular, discos gravemente degenerados geralmente aumentam a tensão posterior durante a extensão. Entretanto, em cerca de 35% dos discos, a extensão levou a uma redução da tensão, presumindo-se que o arco neural proteja o anel posterior da pressão mecânica [13]. 

Dois graus de extensão aumentam os picos de tensão em 33% dos discos intactos e em 43% nos "discos degenerados". As respostas mecânicas sobre os discos são variáveis. A extensão lombar diminuía os picos de tensão anular posterior em cerca de 40%. Interessantemente não observaram qualquer evidencia de que a extensão para trás resultava na migração anterior de material nuclear, enquanto desloca-se posteriormente na flexão [14]. 

Outros autores contradizem por meio de novas pesquisas, colocando que a flexão juntamente com a tração podem produzir melhores efeitos fisiológico e terapêuticos. Sendo que o espaço do disco posterior aumenta em altura, diminuindo a protusão do disco e reduz a estenose. Os discos projetam-se e degeneram para a concavidade de uma curva e para o lado da extensão, lordose ou flexão lateral. A flexão alonga o ligamento amarelo para reduzir a estenose, aumenta o transporte de metabólicos para o disco, abre as articulações apofisárias e reduz a tensão no disco posterior, e que na extensão o núcleo ou anel projeta-se posteriormente para o canal vertebral [19]. 

Diante de tantas pesquisas controversas, questiona-se bastante a metodologia utilizada, sendo que para chegar a estas conclusões são utilizados discos e colunas cadavéricas. As pressões aplicadas são externas e até mesmo as formas para atingir a degeneração do disco são muito artificiais. Até que ponto estas pesquisas seriam fidedignas ou confiáveis! As dores lombares podem ser causadas por uma infinidade de patologias, disfunções e desarranjos da coluna. As principais causas são as instabilidades vertebrais, a hérnia discal, espondilose lombar, reabsorção isolada do disco (processo cicatricial), estenose do canal espinhal, disfunções mecânicas, aderência de tecidos moles e de raízes nervosas, degeneração articular (osteoartrite), artrite reumatóide, osteófitos, traumas, esforços repetitivos, curvaturas anormais da coluna, entre outros acometimentos [1,4,10,11,17,19]. 

Com o alto e crescente índice das dores lombares, várias técnicas diferentes de tratamento foram criadas. Entre os tratamentos desenvolvidos, destacam-se dois autores, o fisioterapeuta Robin McKenzie, graduado pela Faculdade de Fisioterapia da Nova Zelândia, que desenvolveu seu método por volta de 1956. E o ortopedista de Dallas, Dr. Paul Williams, que desenvolveu seu método em 1937 e, posteriormente, em 1974, escreveu um livro para o público leigo, sendo depois adotado pela classe médica [4,17,20]. 

O Dr. Robin McKenzie acreditava que as lombalgias tinham três mecanismos responsáveis pela causa da dor. A Síndrome de Postura, causada por uma deformação mecânica dos tecidos moles adjacentes aos segmentos vertebrais. A Síndrome de Disfunção, causada por um encurtamento ou aderência tecidual, devido a má postura ou por contratura do tecido fibroso-colágeno, desenvolvido após um trauma. E o terceiro e último mecanismo, a Síndrome de Desarranjo causada por um deslocamento do disco intervertebral. O tratamento é desenvolvido em grande parte pela extensão, sendo que a flexão também poderia ser incorporada, de acordo com o mecanismo da lombalgia e com a fase do tratamento. O método tem como principal explicação as desordens biomecânicas causadas por posturas, exercícios ou atividades inadequadas. Causando, posteriormente, alterações estruturais da coluna lombar. Sendo que através dessas, o tratamento será conduzido para a alteração específica. 

McKenzie possui vários subsídios científicos em seu método, nos quais apresentam alguns fatores predisponentes a lombalgia. O primeiro fator, a postura sentada, que durante poucos minutos leva a uma retificação lombar, relaxando a musculatura, sendo que o peso será mantido pelos estruturas ligamentares. A pressão intradiscal também aumenta nesta posição, assim como a lombar cifosa, diminuindo logo que volta a lordose fisiológica. O segundo fator é a perda da extensão. Estudos em 1972 e 1979 indicaram, respectivamente, que 75% e 86% dos pacientes com dor lombar apresentavam perda da extensão. O terceiro fator refere-se ao número de flexões. De acordo com o estilo de vida ocidental e as adaptações dos ambientes humanizados, o ser humano está perdendo o hábito de fazer extensões perfazendo as flexões [17]. 

Com outra visão, o Dr. Paul Williams desenvolveu seu método, observando que a maioria dos pacientes que apresentavam dores lombares crônicas, possuíam alterações degenerativas esqueléticas secundárias a lesões dos discos intervertebrais. Também acreditava que o homem forçava seu corpo para se manter ereto, levando a uma deformação da coluna, redistribuindo o peso pelo corpo nas proximidades dos discos intervertebrais da coluna cervical e lombar. Essa permanência do homem em pé, aumentaria a lordose lombar, comprimindo a parte posterior do disco (L1 a S1), acelerando o processo degenerativo. Utiliza como princípio do tratamento, exercícios de flexão da coluna e quadril. Com o propósito de reduzir a dor e estabilizar o tronco, desenvolve ativamente os músculos flexores e alonga passivamente os músculos extensores lombosacros. Williams dá muito enfoque na questão da inclinação posterior da pelve, sendo essencial para obter ótimos resultados no tratamento [4,20,22]. 

Avaliações da pelve através das atividades dos músculos eretores da coluna testados em diferentes inclinações, concluíram que na inclinação anterior há maior solicitação que na inclinação posterior [21]. EMG durante atividades similares aos exercícios de flexão de Williams, demonstraram atividades mínimas na flexão do tronco, enquanto nas extensões do tronco houveram atividades máximas da musculatura paraespinhal em todos os níveis vertebrais. A única pesquisa por outro autor encontrada especificamente nas flexões de Williams, chegou ao resultado que a inclinação pélvica pode apresentar considerável alteração na tensão da musculatura da região lombar e sacral. Sendo que a inclinação posterior da pelve minimiza a atividade da musculatura lombosacra, através da EMG e ocorre em conjunto o seu alongamento. Concluindo que se a intenção terapêutica for minimizar a atividade lombar e sacral, a inclinação anterior da pelve deve ser evitada [22]. 

Diante de tantas pesquisas concluídas e resultados controversos, ainda permanecem interrogações quanto ao movimento mais indicado terapeuticamente e fisiologicamente, para a integridade e reabilitação da coluna lombar. Seria a flexão responsável pelos benefícios fisiológicos e a extensão pelos benefícios biomecânicos? Qual seria a aplicabilidade de cada movimento sobre os problemas lombares? 

Método McKenzie 

Pelo método de Robin McKenzie, a coluna vertebral possui curvaturas que foram determinadas através de um processo de adaptação da evolução humana. Com o intuito de absorver os choques e permitir maior flexibilidade. A dor lombar, segundo McKenzie, é causada pela tensão muscular ou estiramento dos ligamentos e outros tecidos moles. Isso geralmente ocorre com a manutenção dos maus hábitos posturais, excesso de flexões e posições relaxadas, ou seja, qualquer posição onde a coluna lombar tende a retificar-se. Outras causas comuns que podem ocorrer são as forças externas aplicadas na coluna, provocando tensão nas estruturas, levantamento de objetos excessivamente pesados e posição curvada enquanto se trabalha. Entre todas esta causas, a posição sentada de forma incorreta representa a maior causa de dor lombar. 

Segundo McKenzie, as protusões do disco intervertebral são uma conseqüência do estiramento excessivo do ligamento que envolve o disco, causando perda da capacidade de estabilização, gerando o deslocamento do disco. 

Durante o movimento de flexão, McKenzie acredita que o núcleo do disco desloca posteriormente, a pressão no disco aumenta e o sistema ligamentar posterior fica tensionado. Na extensão o anel posterior fica protuberante (fisiologia normal), o disco desloca anteriormente, reduz a pressão no IV disco intervertebral e o sistema ligamentar fica relaxado. McKenzie apresenta a flexão e a má postura sentado, como os maiores responsáveis pelos casos de protusões, fissuras, rupturas, tensões, estiramentos e compressões das estruturas da coluna lombar. 

O próprio método possui sua forma de diagnóstico. Existe uma anamnese onde é colhida a história da lesão. É realizado um exame objetivo e, posteriormente, são feitos testes dos movimentos, confirmando o diagnóstico mecânico. Em caso de haver irradiação da dor durante os testes, o teste neurológico também é efetuado. Lembrando que, segundo Mckenzie, a dor lombar pode ser uma síndrome de postura, disfunção ou desarranjo. 

De acordo com o diagnóstico, o tratamento segue princípios conforme o acometimento. No caso de uma síndrome de postura, o tratamento será a correção postural, numa disfunção de flexão utiliza-se o princípio da flexão, disfunção da extensão o princípio da extensão, no desarranjo posterior o princípio da extensão, no desarranjo anterior o princípio da flexão e na aderência nervosa o princípio de flexão. Outros casos, como a articulação sacrilíaca e do quadril, são utilizados métodos não abordados neste trabalho. 

Nas fases mais avançadas do tratamento, é introduzida a flexão com a finalidade de reorganizar o colágeno, que é depositado de forma desordenada no anel fibroso. McKenzie, através do seu método, segue as três fases do processo de recuperação do disco, que são: o processo natural de cura, o mecanismo auto-selante e a recuperação cartilaginosa. 

Em alterações do disco por laceração anular, é seguido por um processo de cura natural. O encravamento de vasos sangüíneos, através da placa terminal do corpo vertebral, promove a formação de novo tecido de granulação. Com a contração da cicatriz invasora, a disfunção desenvolve dentro do seguimento intervertebral. Quando for aplicado suficiente estresse mecânico à coluna, o tecido cicatricial fibrótico tende a fragmentar-se, repetindo-se o ciclo [23]. 

Também existe um mecanismo auto-selante dentro do disco que aparece pouco tempo depois da lesão. Os discos lesionados através da parede anular, foram submetidos a testes por carga de compressão. O auto-selamento ocorre durante os primeiros ciclos de carga por um fluxo de material nuclear para dentro da fissura. Os discos parecem voltar ao comportamento de compressão normal após poucos ciclos de carga. Isso demonstra a rapidez com que se pode instalar uma recuperação temporária, antes que se complete uma recuperação a longo prazo pela formação de tecido cicatricial fibroso [26]. McKenzie argumenta que, num distúrbio posterior, a execução de exercícios de extensão passiva repetidos pode dar início a um fenômeno de auto-selamento. 

Pesquisas avaliaram os efeitos da imobilização, da mobilização ativa e passiva sobre as articulações do joelho de coelhos, que continham cartilagens danificadas como resultado de fratura intra-articular. Concluiu que o movimento passivo contínuo, da fratura intra-articular cirurgicamente fixado, durante pelo menos uma vez por semana após a lesão, induz à regeneração da cartilagem ao invés da substituição por tecido fibroso. Além disso, ele descobriu que a cartilagem se regenerasse até a normalidade e não era encontrada nenhuma artrite póstraumática seis meses após a lesão [27]. 

McKenzie argumenta que a execução regular de exercícios de extensão passiva no distúrbio posterior, pode acentuar a qualidade ou melhorar a natureza dos tecidos curativos no anel posterior. 

Método Williams 

Os exercícios de flexão de Williams são bastante utilizados para o tratamento de grande variedade de problemas lombares. Em muitos casos o método é utilizado quando a causa da desordem ou as características não são bem compreendidos por fisiatras e fisioterapeutas. Constantemente os exercícios são ensinados com modificações próprias dos terapeutas [22]. Qualquer modificação dos exercícios devem ser feitos sob muita consideração da ação muscular, porque os exercícios que violam o mecanismo de inclinação posterior da pelve, podem ser suficientes para prolongar os sintomas clínicos [20]. Os exercícios em geral visam o fortalecimento dos músculos abdominais, glúteos e o alongamento de parte da cadeia posterior. 

Todos os exercícios de Williams são acompanhados de flexão do quadril, gerando tração dos músculos ísquio-tibiais que levam a retroversão pélvica. Este movimento é conhecido por contra-nutação. O movimento de flexão é limitado pela tensão exercida sobre as estruturas do arco posterior (cápsula e ligamentos da articulação interapofisária, ligamentos amarelo, interespinhoso, supraespinhoso e o ligamento vertebral comum posterior). 

Williams tem contradições próprias em seu método. Por exemplo, em um dos seus exercício básicos, o indivíduo toca o pé com as mãos. Ao mesmo tempo ele condena a flexão do corpo em pé para tocar o chão. É o mesmo exercício, mas com postura diferente. 

Discussão 

A lombalgia, por se tratar de uma patologia que acomete praticamente todas as pessoas, pelo menos uma vez na vida, gera grandes dúvidas sobre as suas causas, diagnósticos, tratamentos e profilaxias. Apesar de já existirem várias causas definidas, ainda permanecem casos obscuros. Existem várias técnicas de tratamento fisioterapêutico, mas poucas obtêm ótimos resultados. Por isso, existe uma grande variação de protocolos utilizados. Bons resultados são obtidos quando a lombalgia tem sua causa definida e os métodos específicos são aplicados. Mas ainda mantêm-se as questões levantadas em todos os momentos pelos fisioterapeutas e estudiosos do assunto: num caso de dor lombar, qual o método mais indicado para o tratamento, Williams ou McKenzie? Seria correto aumentarmos a lordose lombar ou retificá-la? 

Devemos fazer flexão ou extensão? 

Biomecânicamente os dois métodos são contraditórios. Ou seja, Williams acredita que a coluna lombar deve ser retificada, diminuindo a lordose lombar, fortalecendo glúteos, músculos abdominais e alongando parte da cadeia posterior. Enquanto McKenzie preserva a lordose como fator indispensável para a harmonia da coluna. É diferente o objetivo de cada método. Um retifica e o outro lordosa, um se preocupa bastante com o núcleo e o outro com a musculatura. 

Se levarmos como base o índice raquidiano de Delmas e a fórmula R= N²+1, onde R é a resistência da coluna e N é o número de curvaturas, chega-se à conclusão que o método McKenzie é pertinente. Já se levarmos em conta que a dor lombar seria causada por um encurtamento das estruturas da cadeia posterior, conclui-se que o método Williams também é pertinente. 

Em casos de protusão discal ou mesmo leve deslocamento do núcleo pulposo dentro do disco, o método McKenzie seria o mais indicado biomecanicamente. Sendo que este método não se baseia apenas em extensões de tronco. Existe todo um procedimento a seguir, até que a extensão tenha início. Mas como explicar os terapeutas que obtêm resultados com Williams em protusões discais? Seria devido ao alongamento dos ísquios durante a sessão, levando a nutação pélvica e posteriormente um aumento da lordose lombar? Estaria aí o benefício deste método? Ou sua atuação está apenas no alongamento de parte da cadeia posterior e, conseqüente, afastamento das fibras anulares posteriores? 

Quando a dor lombar é causada por encurtamento da cadeia posterior, também denominada de síndrome da disfunção por McKenzie, ambos os métodos possuem embasamento. Lembrando que nesta síndrome (disfunção de flexão) McKenzie trata através das flexões. Analisando as alterações teciduais produzidas pelas flexões de Williams, este caso seria o mais indicado para este método. 

Um método que já vem sendo utilizado por mais de seis décadas e ainda não possui resultados comprovados cientificamente. Seria devido a ausência de conhecimento científico do método? A questão da dor lombar ser autolimitante teria relação com as melhoras na aplicação dos métodos? É uma questões que deve ser sempre levantada quando se fala em tratamentos para a coluna lombar. E nos casos após o tratamento com excelentes resultados e os achados radiológicos permanecem da mesma forma. Seria um processo de dessensibilização? 

A dor lombar ainda é pouco estudada, pouco se sabe sobre suas causas e muito menos sobre seus tratamentos. Métodos desenvolvidos há décadas ainda despertam insegurança em vários fisioterapeutas que os aplicam. E muitos que aplicam com segurança, não sabem explicar as alterações biomecânicas e ou fisiológicas ocorridas. 

Por se tratar de um problema que afeta toda a sociedade e principalmente a ativa, faltam mais investimentos em pesquisa, visando estabelecer comparações e paralelos entre métodos pré-existentes. A classe fisioterápica necessita mais do que ninguém de dados confiáveis, podendo, assim, surgir novas formas de tratamento baseados em evidencias. Existe a necessidade de surgir cada dia mais o fisioterapeuta pesquisador. Comprovando cientificamente tratamentos, que vem sendo criados e incorporados à nossa realidade indiscriminadamente, sem antes testar por meio de pesquisas suas aplicabilidades. 

Referências Bibliográficas 

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6. Simeone R. The Spine. Sanders Company. 3ª ed. - USA, Ed. WB 1992. 

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8. Vallfors B. Personal communication. 1982. 

9. Cecin H, Molinari M. et al. Dor lombar e trabalho: Um estudo sobre a prevalência de lombalgia e lombociatalgia em diferentes grupos ocupacionais. Rev Bras Reumatol 1991;31. 

10. Kapandji AI. Coluna Lombar. Fisiologia Articular vol. 3. 5ª ed. São Paulo: Guanabrara Koogan 2000. 

11. Bogduck NA. A inervação dos discos intervertebrais lombares. In: Grieve. Modena Terapia Manual. São Paulo: Editora Panamericana 1994:740-749. 

12. Nachemson AA HGS. Classification of low-back pain. Scand J Work Environ Health 1982;8:134-6. 

13. Adam MA, McNally DS, Dolan P. "Stress" distribution inside intervertebral discs. J Bone J Surg 1996;78:965-72. 

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22. Blackburn SE, Portney LG. Electromyographic activity of back musculature during Williams' flexion exercises. Phys Ther 1981;61:878-85. 

23. Farfan HF. The Scientific Basis of Manipulative Procedures. Clinics in Rheumatic Diseases1980:159-77. 

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31. White AA. Clinical Biomechanics of the Spine. In: Mckenzie. The Lumbar Spine. Wellington
Artigo Publicado em: 14/02/2005
Autor(es):
Thiago Vilela Lemos (1), Jean Luis de Souza (2), Marcelo Marcos Medeiros Luz (3)

sábado, 29 de março de 2014

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domingo, 16 de fevereiro de 2014

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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014


Artrose no joelho pode ser tratada com exercícios. 

                  Valorize o Fisioterapeuta!



http://www.drmarkdeeke.com.br/imagesp/10/userfiles/Image/Artrose/artrose_joelho.jpg

  O joelho é uma das partes do corpo que mais suporta carga e tem muitas articulações, por isso acaba sendo muito afetado pela artrose. A artrose é uma doença degenerativa das articulações. As causas podem ser fatores genéticos, sobrepeso, falta de exercício físico, exagero no uso da articulação, sobrecarga em esportes e desgaste das cartilagens. Joelhos com desvios do eixo - mal alinhamento, por exemplo - e traumas de repetição também podem resultar na doença.  A artrose, também conhecida como osteoartrite, tem caráter degenerativo e já faz parte da vida de 10 milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Estudo da Dor (SBED).
 
  A artrose na região causa dor no paciente e pode levar a uma perda considerável de qualidade de vida, chegando a ocasionar danos irreversíveis, como a deformação e enrijecimento de membros. Alguns dos principais sintomas da patologia podem ser facilmente percebidos em um rápido exame clínico, como uma articulação com dores, inchada, com falta de firmeza ou rangidos. Dificuldades ou reduções na capacidade de movimento também podem ser indícios da artrose. Quando a pessoa percebe sintomas da doença, deve procurar um especialista.
 
  A faixa etária mais afetada é a terceira idade, por conta do envelhecimento natural do corpo. Algumas ações que podem diminuir os sintomas da doença. Recomenda-se perda de peso, exercícios de fortalecimento e alongamento, dieta balanceada, diminuir a sobrecarga desnecessária e fazer uso de medicação disponível no mercado, sempre prescrito por um especialista.
  
SINTOMAS:
 
Dor no joelho após esforços e melhora com o repouso;
Sentir rigidez ao se levantar da cama de manhã ou após longos períodos de repouso: geralmente, a dor passa após 30 minutos ou quando começam as atividades normais do dia;
Presença de estalos ao movimento ou "crepitações";
Inchaço e calor, sentidos geralmente na fase inflamatória;
Sensação de aumento de tamanho do joelho, devido ao crescimento dos ossos ao redor;
Movimentos mais limitados, especialmente para esticar o joelho totalmente;
Dificuldade em apoiar a perna no chão;
Músculos da coxa mais fracos e atrofiados.
 
CAUSAS:
 
Desgaste natural das articulações, devido à idade;
Estar muito acima do peso;
Traumatismo direto, como cair de joelhos, por exemplo;
Doença inflamatória associada ao uso indevido da articulação.
 
  Tratando a artrose no joelho
 
A artrose é uma doença sem cura conhecida e no joelho não é diferente. Algumas iniciativas podem amenizar os sintomas de dor e limitação causados. Um tratamento pode ser eficaz em controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
 
Ao contrário do que se pensa, exercícios são fundamentais para manter uma boa articulação. Os melhores são os exercícios resistidos - aqueles realizados contra alguma forma de resistência à contração muscular - que fortalecem os músculos, e os de alongamento, que permitem um ângulo de movimentos adequado. O tratamento cirúrgico só é recomendado quando o tratamento medicamentoso associado aos exercícios falha e o paciente tem uma dor incapacitante.
 
Porém, há exercícios contraindicados. Se a região afetada for a rótula, os exercícios de flexão/extensão dos joelhos, como agachamento ou bicicleta, não devem ser feitos, principalmente se provocarem dor. Quando a doença está entre os ossos do fêmur e da tíbia, a corrida não é aconselhável. 
 
Alguns exercícios simples podem ser eficazes para amenizar as dores e melhorar a qualidade de vida.Ao se deitar e antes de levantar, o paciente pode esticar uma perna de cada vez, alongando a parte posterior da mesma, fazendo duas séries de 10x cada perna. Essa simples ação ajuda a lubrificar a articulação e alongar a musculatura.

Retirado do site: http://reumatologia.facafisioterapia.net/2014/01/artrose-no-joelho-pode-ser-tratada-com.html.
Boa leitura pessoal!

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Fisioterapia Cardiológica,
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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Fisioterapia em domicílio, Uberlândia/MG

Fisioterapia em domicílio

Atendemos em Uberlândia desde 2003. Temos equipe qualificada em:
Fisioterapia Respiratória;
Fisioterapia Geriátrica;
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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Resumo da marcha humana para provas e concursos.

Temos duas fases no ciclo da marcha:

- Fase de apoio corresponde à 60% do ciclo da marcha que é subdivida em:

1 - CONTATO INICIAL (0 - 2% CM) 
Objetivo nessa fase é o contato do calcanhar com o solo.
Músculos mais atuantes: quadríceps, isquiotibiais e pré-tibiais.  
Têm-se duplo apoio inicial. Para iniciar um ótimo rolamento do calcanhar, o tornozelo está neutro, o joelho estendido e o quadril fletido em 30º.
Membro Contralateral no final do APOIO TERMINAL.

2 -   APOIO TOTAL OU RESPOSTA À CARGA (0 - 10% CM) 

Objetivo desta fase é a transferência do peso corporal, absorção de choque, estabilidade para recepção do peso e preservação da progressão através do contato total da planta do pé com o solo.
Músculos mais atuantes: glúteo máximo e quadríceps.
Flexão restrita do joelho. A absorção do choque é promovida pelo quadríceps que limita o arco de flexão do joelho. Essa ação muscular também mantém a estabilidade de suporte de peso no joelho. Flexão plantar restrita do tornozelo. O rolamento do calcanhar continua para a progressão do corpo, embora também contribua para a absorção de choque. Estabilização do quadril, postura ereta do tronco é preservada. Joelho fletido 18º, flexão plantar 10º, quadril fletido 30º.
Membro Contralateral no PRÉ BALANÇO OU IMPULSO.

3 - APOIO MÉDIO (10 - 30% CM) 
Objetivo desta fase é a progressão sobre o pé estacionário.
Músculos mais atuantes: quadríceps e gastrocnêmios.
Dorsiflexão restrita do tornozelo, o movimento de rolamento do tornozelo permite a progressão anterior. Ação muscular do tríceps sural para restringir a velocidade do avanço tibial é o principal determinante de estabilidade do joelho. Tem extensão do joelho, o alinhamento progressivo do joelho aumenta a estabilidade de suporte de peso do membro. Estabilização do quadril no plano coronal(frontal). A ação muscular abdutora estabiliza a pelve em nível postural isso promove uma base apropriada para um alinhamento vertical do tronco.
Membro Contralateral no BALANÇO MÉDIO.

4 - APOIO TERMINAL (30 - 50% CM) 
Objetivo desta fase é a progressão do corpo além do pé de sustentação e desprendimento do calcâneo com o solo.
Músculos mais atuantes: sóleo e gastrocnêmios.
Elevação do calcanhar , o rolamento do antepé permite que o peso do corpo avance além da área de suporte. A estabilização dinâmica do tornozelo é um elemento essencial da elevação do calcanhar. Queda livre anterior do corpo, este é o principal componente de progressão, ele também cria instabilidade no equilíbrio sagital(mediano).
Membro Contralateral no BALANÇO TERMINAL.

5 - IMPULSO OU PRÉ-BALANÇO (50 - 60% CM) 
Objetivo desta fase é a posicionar o membro para balanço e desprendimento do antepé do solo.
Músculos mais atuantes: adutor longo e reto femoral.
Têm-se duplo apoio terminal. Flexão do joelho 40º, a maior parte da amplitude de flexão do joelho, utilizada no balanço inicial é a atingida durante esta fase final de apoio. A energia para a flexão do joelho, é a liberação do potencial energético através de reações indiretas, a partir de ações no quadril e tornozelo.
Membro Contralateral no APOIO TOTAL/RESPOSTA À CARGA.

- Fase de balanço corresponde à 40% do ciclo da marcha que é subdivida em:

1 - BALANÇO INICIAL (60 - 73% CM) 
Objetivo desta fase é a liberação do pé do solo e avanço do membro.
Músculos mais atuantes: íliaco, bíceps cabeça curta e pré-tibiais.
Flexão do joelho a liberação do pé da superfície depende mais da flexão adequada do joelho do que da posição do tornozelo, porque a postura posterior do membro posiciona espontaneamente o pé em uma postura com os dedos para baixo. Flexão do quadril, o rápido avanço da coxa contribui como uma importante força propulsora.
Membro Contralateral no APOIO MÉDIO.

2 - BALANÇO MÉDIO (70 - 85% CM) 
Objetivo desta fase é a avanço do membro.
Músculos mais atuantes: íliaco e pré-tibiais.
Tíbia na vertical com o solo , extensão de joelho e dorsiflexão do tornozelo, o controle ativo do tornozelo permite que o pé seja liberado do solo. Flexão do quadril , o avanço do membro continua ativamente.
Membro Contralateral no APOIO MÉDIO.

3 - BALANÇO TERMINAL (85 - 100% CM) 
Objetivo desta fase é a completar o avanço do membro e preparar para o apoio.
Músculos mais atuantes: isquiotibiais, quadríceps  e pré-tibiais.
Desaceleração do quadril, flexão adicional do quadril( isto é, avanço da coxa) é inibida. Desaceleração do joelho, a hiperextensão do joelho é evitada. A extensão do joelho gera uma posição de estabilidade passiva no joelho na preparação para a aceitação do peso do corpo. Dorsiflexão do tornozelo, uma posição neutra é mantida para colocar o pé na posição desejada para o contato com o solo.
Membro Contralateral no APOIO TERMINAL.



Edward Klumpp disse: "Conhecimento foi feito para ser partilhado e não guardado".

Por ser um resumo pessoal, não tenho a referência bibliográfica, pois retirei de vários artigos e livros. E montei de forma que me ajudou e ajuda até hoje. Quando preciso relembrar o assunto é ele que recorro. Bons estudos pessoal!


Linfedema

Sistema Linfático


As duas funções primárias do Sistema Linfático são proteger o corpo contra infecções e doenças por meio da resposta imune e facilitar a movimentação de líquidos, para a frente e para trás, entre a corrente sanguínea e o líquido intersticial, removendo o excesso de líquidos, os detritos presentes no sangue e as moléculas de proteína no processo de troca de fluidos.

Linfedema




O tratamento do câncer tem por finalidade a cura ou alívio dos sintomas da doença. Os tratamentos com medicamentos (quimioterapia, terapia alvo, hormonioterapia), cirúrgicos e radioterápicos podem provocar efeitos colaterais que variam de paciente para paciente dependendo de múltiplos fatores, podendo ser diferentes quanto a intensidade e duração. Alguns pacientes poderão apresentar efeitos colaterais mais severos, outros mais leves ou mesmo não apresentar qualquer efeito colateral. Em caso de você apresentar algum efeito colateral devido ao tratamento que está realizando procure imediatamente seu médico para receber as orientações necessárias para seu caso.


O linfedema é o acumulo de líquido no braço ou na perna devido ao bloqueio do sistema linfático. O sistema linfático conduz a linfa pelo corpo e ajuda no combate de infecções. Pacientes com câncer podem desenvolver linfedema em membros superiores ou inferiores.

Sintomas
Os pacientes com linfedema podem apresentar sintomas como:
  • Inchaço indolor que começa nas mãos ou pés e progride em direção ao tronco.
  • Sensação de braços ou pernas pesados.
  • Uso de anéis, relógios e roupas tornam-se difícil devido a que ficam muito apertados.
  • Pele lisa ou brilhante.
  • Marcas ou espessamento da pele quando pressionada.
  • Hiperqueratose.
  • Pele similar a casca da laranja.
  • Desenvolvimento de verrugas ou pequenas bolhas.
Causas
As causas mais comuns do linfedema são:
  • Cirurgia com remoção dos linfonodos.
  • Radioterapia na região dos linfonodos.
  • Câncer metastático.
  • Infecção bacteriana ou por fungos.
  • Danos no sistema linfático.
  • Outras doenças relacionadas com o sistema linfático.
O linfedema pode ser agudo ou crônico. O linfedema agudo desenvolve-se geralmente alguns dias ou semanas após a radioterapia ou cirurgia e dura menos de seis meses. Com o retorno da circulação normal da linfa, o inchaço tende a desaparecer. O linfedema crônico ocorre quando as alterações do sistema linfático já não satisfazem as necessidades do corpo em relação à drenagem da linfa, podendo ocorrer logo após a cirurgia ou radioterapia, ou meses ou anos após o tratamento do câncer. Não há cura para o linfedema crônico, no entanto, existem maneiras de controlá-lo.
Diagnóstico
O linfedema pode ser diagnosticado pela observação dos sintomas. No entanto, alguns exames podem ser necessários não só para confirmar o diagnóstico, como também planejar o tratamento:
  • O médico pode medir os seus braços e pernas para o acompanhamento do inchaço e pode calcular o volume do líquido acumulado.
  • O ultrassom ajuda na visualização do fluxo do sistema linfático.
  • A linfocintilografia é um procedimento confiável para confirmar o diagnóstico de linfedema.
  • A tomografia computadorizada mostra a localização e o padrão do sistema linfático, e se um tumor ou outra massa pode estar obstruindo o fluxo do sistema linfático.
É importante certificar-se que outras doenças não estão causando o inchaço, para isso são solicitados outros exames para descartar a hipótese de doença cardíaca, coágulos sanguíneos, infecção, insuficiência hepática ou renal, ou uma reação alérgica.
Classificação
  • Grau I - Linfedema reversível com elevação do membro e repouso no leito durante 24-48 horas, edema depressível à pressão.
  • Grau II - Linfedema irreversível com repouso prolongado, fibrose no tecido subcutâneo de moderada a grave e edema não depressível à pressão.
  • Grau III – Linfedema irreversível com fibrose acentuada no tecido subcutâneo e aspecto elefantiásico do membro.
Tratamento
Os tratamentos para o linfedema visam à redução do inchaço, a prevenção da infecção e a melhora da aparência e do uso do braço ou perna. Incluem:
Elevação – Manter o membro afetado elevado pode ajudar a reduzir o inchaço e incentivar a drenagem do sistema linfático. No entanto, muitas vezes não é prático manter uma posição elevada por longos períodos.
Massagem – A drenagem linfática manual pode ajudar a reduzir o inchaço, e seus resultados são melhores quanto mais cedo iniciar a massagem.
Exercício - Pode melhorar o fluxo do sistema linfático, fortalecer os músculos e melhorar a capacidade do corpo de absorver proteína. O exercício deve ser feito usando uma luva de compressão ou bandagem.
Compressão – A compressão aplica pressão sobre a parte afetada, incentivando a drenagem do sistema linfático, é útil na prevenção do inchaço.
Higiene – A prevenção de uma infecção na região do linfedema impede a evolução para algo mais grave. Lavar a área com sabão e usar loções sem álcool pode garantir a prevenção de uma infecção. Antibióticos ou medicamentos antifúngicos também podem ajudar a prevenir infecções.
Tratamento a laser de baixa intensidade – O tratamento a laser pode proporcionar alívio do linfedema pós-mastectomia, especialmente nos braços.
Não são recomendados tratamentos que incluem:
  • Diuréticos.
  • Cirurgia reparadora do sistema linfático.

O Tratamento fisioterapêutico consiste em: 
Elevação do membro, drenagem linfática manual, manipulação do edema e compressão. 

O menisco e suas lesões



O menisco e suas lesões



O que você precisa saber: os meniscos são estruturas localizadas nos joelhos que servem, principalmente, para lubrificá-lo, melhorar o encaixe a transmissão de força entre os ossos, e dar maior estabilidade; as lesões de menisco ocorrem através da compressão do joelho, em movimentos como mudar de direção ou amortecer um salto; as dores de menisco ocorrem na interlinha articular, ou seja, no espaço entre os ossos fêmur e tíbia, especialmente ao se apoiar num pé só com o joelho dobrado; existem basicamente dois tipos de cirurgia, a meniscectomia (recuperação é mais curta, mas perde-se o menisco ou parte dele) e a sutura (recuperação mais longa, mas mantém-se o menisco).



O que são os meniscos? Pra que servem?

Os meniscos são duas estruturas semi-circulares que se encontram em nossos joelhos. Eles ficam na área superior da tíbia, o osso da perna, na região em que a tíbia interage com o osso do fêmur. Elas apresentam diversas funções, dentre estas as que mais se destacam são a lubrificação do joelho, a melhoria do encaixe do fêmur sobre a tíbia (e conseqüente melhoria da transmissão de forças entre os ossos), e o aumento da estabilidade do joelho. Estaremos detalhando um pouco mais essas funções abaixo.

A maior parte do peso do menisco é devido a água em seu interior, e cada vez que o menisco é comprimido ele libera essa água para dentro da articulação. Isso ajuda a lubrificá-la e a nutrir a cartilagem (cartilagem é o tecido que recobre a extremidade dos ossos para permitir um movimento sem atrito durante o movimento).

A função de melhoria do encaixe proporcionada pelos meniscos se deve à incongruência na forma como a tíbia e o fêmur se encaixam. Os meniscos ajudam a minimizar essa incongruência, melhorando tal encaixe dos ossos. Com o encaixe mais apropriado, atransmissão de forças entre os ossos é melhor distribuída, e o osso fica protegido de uma compressão excessiva. Isso é especialmente observado pela região externa do fêmur que se interage com a respectiva região externa da tíbia, ambas serem convexas. Nesse local, o menisco lateral, estando por sobre a tíbia, cria uma concavidade e facilita tal encaixe.

Além disso, os meniscos colaboram em impedir o deslizamento da tíbia para frente. Essa função colabora com a função do ligamento cruzado anterior, promovendo maior estabilidade ao joelho.

A forma pela qual os meniscos são mais freqüentemente conhecidos é pelas lesões, especialmente pelas lesões de atletas que são mostradas nos noticiários esportivos. Ou quando um de nós, um amigo ou pessoa próxima é quem tem a lesão.




Como se descobre ou se desconfia de uma lesão de menisco?

As lesões de menisco geralmente ocorrem nas posições de maior compressão de joelho, ou seja, nas posições onde o joelho se dobra com o peso do corpo em cima dele. Geralmente isso se encontra na história da lesão, ou seja, quando alguém conta a história de como começaram as dores no joelho, refere que foi num momento onde dobrou o joelho, sendo que se destacam as situações de desaceleração (quando, por exemplo, estamos correndo e queremos “frear”), mudança de direção durante uma corrida ou após a realização de um salto (quando voltamos a apoiar os pés no solo e dobramos o joelho para amortecer a queda).

A pessoa com uma lesão de menisco irá sentir dores quando se apóia no joelho dobrado, especialmente se for apoiado num pé só. Pode também senti-las ao se agachar ou em outras situações onde o joelho é dobrado. Isso tudo se torna ainda mais evidente se for na prática esportiva, onde a sobrecarga é ainda maior. Em geral também haverá inchaço.

Eventualmente poderá ocorrer, em alguns casos, o travamento do joelho. O joelho trava e a pessoa não consegue mais esticá-lo. Em geral, quando isso acontece, ocorreu uma lesão em “alça de balde”, ou seja, a borda do menisco levantou e foi comprimida pelo osso (fêmur). 

O exame mais comumente utilizado na prática clínica de médicos e fisioterapeutas para se verificar a integridade do menisco é o chamado teste de Apley. Nele o paciente se encontra deitado de bruços, enquanto o profissional realiza uma força de compressão, empurrando o osso da tíbia contra o osso do fêmur, estando o joelho dobrado a 90º ou mais. O profissional pode, simultaneamente, rodar a perna para fora ou para dentro, enquanto comprime e/ou dobra o joelho. Caso o paciente sinta dores, a tendência é a de que realmente haja uma lesão meniscal.

Dores de origem meniscal em geral são sentidas na chamada interlinha articular, ou seja, no espaço entre os ossos fêmur e tíbia. A compressão manual nessa região em pessoas com lesão meniscal, poderá promover dor, o que é um indicativo de uma possível lesão do menisco. Esse teste costuma ser realizado na região da frente do joelho, pois na região de trás existem músculos e tendões que recobrem a região e dificultam o acesso aos meniscos.

Um outro teste que no qual se pode evidenciar a presença de uma lesão de menisco é “andar de cócoras”. Ao se andar de cócoras os joelhos além de estarem bastante fletidos, aumentando a compressão sobre os meniscos, ainda terão de suportar o peso do corpo individualmente, ou seja, um joelho de cada vez.



E o que fazer caso eu ache que tenha uma lesão de menisco?

Vá ao médico e seja examinado. É necessária uma avaliação para verificar o tipo de lesão e o procedimento que será feito. Pessoas ativas e/ou com sintomas intensos necessitam de cirurgia. Pessoas sedentárias com poucos sintomas podem não precisar. Tudo é decidido caso-a-caso.

A cirurgia, quando necessária, em geral pode ser de dois tipos: meniscectomia ou sutura. Na meniscectomia a parte lesada do menisco é retirada (meniscetomia parcial) ou todo o menisco é retirado (meniscectomia total). Porém, quanto menos menisco permancer, maior será o aumento da compressão entre os ossos (lembre-se, o menisco age também como um amortecedor, a falta dele favorece muito o aparecimento de osteoartrose futuramente). A recuperação das meniscectomias em geral é relativamente rápida.

No caso da sutura, é como se fizessem um ponto no menisco, de forma que as regiões que se machucaram e se afastaram, se aproximem e possam cicatrizar. A vantagem é que o menisco é preservado e assim não haverá o aumento da compressão observado nas meniscectomias. A desvantagem é que a recuperação é muito mais longa que nas meniscectomias.



Quais os tipos de lesão meniscal?

A lesão meniscal pode ser classificada como longitudinal-vertical, oblíqua, horizontal, radial, e complexa.

A lesão longitudinal-vertical pode se tornar uma lesão em alça de balde, sendo que a conseqüência disso é o possível travamento do joelho (conforme mencionamos anteriormente). A lesão horizontal pode chegar a dividir o menisco em região superior e inferior e, assim como a lesão complexa, costuma acometer indivíduos mais velhos.


                       primeira linha: meniscos íntegros, lesão horizontal, lesão longitudinal,
                segunda linha: lesão complexa, lesão longitudinal (alça de balde), lesão oblíqua


E o menisco discóide, o que é?

Menisco discóide é o menisco que tem um formato mais achatado. De fato, existem 3 variações de menisco discóide, o incompleto (A - o achatamento é menor), o completo (B - é como se o menisco todo estivesse achatado), e o menisco discóide de Wrisberg (C - que é semelhante a um menisco normal, mas sua fixação no joelho é diferente).



E a fisioterapia para o menisco?

Tudo depende. Em geral, no caso de uma meniscectomia, inicialmente o fisioterapeuta sempre buscará diminuir a dor e reduzir o edema, que geralmente estão presentes logo após. Depois disso, busca-se o reestabelecimento da capacidade de esticar o joelhototalmente (quando tiver havido uma diminuição) e inicia-se o fortalecimento (com ênfase inicial num músculo chamado vasto medial oblíquo, que tende a ficar fraco quando se machuca ou se opera o joelho). À medida que o fortalecimento avança, começa-se ao treino de atividades próximas àquelas que a pessoa (ou atleta) costuma realizar em seu dia-a-dia ou no esporte. No caso da sutura, em geral o tempo é bem mais longo, mas os princípios se mantém. Porém, no caso das suturas deve haver um cuidado todo especial em relação ao dobrar o joelho, pois quando dobramos o menisco fica mais pressionado, e ele não pode sofrer essa pressão muito cedo, pois estará em fase de cicatrização. Quando não houver sido selecionada a realização da cirurgia, a fisioterapia irá progredir de acordo com a melhoria das dores, porém, inicialmente deve-se sempre diminuir a dor e reduzir o edema (essa é uma regra básica para a maioria, senão a totalidade, das lesões na prática da fisioterapia: diminuir a dor e reduzir edema antes de iniciar atividades mais intensas).